Regras

Orientação básica

Somos o Templo Zen do Cuidado Amoroso Eterno. A essência do zen é o cuidado. Cuidado significa presença consciente, atenção plena e respeito universal. Nossa prática se destina a formar cuidadores de si mesmos e dos outros, da casa onde praticamos e do planeta onde vivemos.

Exercemos o cuidado também através de cursos, grupos de estudo e retiros, que manifestam nossa missão: oferecer um espaço para o desenvolvimento dos seres humanos de acordo com os valores budistas, promovendo a prática da justiça social, dos direitos humanos, da igualdade de gênero e da tolerância religiosa, assim como uma profunda reflexão sobre o papel de cada indivíduo na comunidade.

Em uma instituição dedicada ao zen, temos duas atividades principais: a primeira é o zazen (meditação sentada), a segunda é o samu (trabalho realizado em estado meditativo).

Zazen é incômodo e nossa mente apegada vai tentar criar todo tipo de desculpa para nos fazer evitá-lo. Idealmente, devemos sentar mesmo quando estamos doentes ou insones, sofrendo de indisposição ou de estresse. Faltar ao zazen por causa dessas questões vai contra o princípio da própria prática: elas podem e devem ser trabalhadas através do zazen. O objetivo da prática do caminho é virar nossa vida de cabeça para baixo. Se estamos praticando e nossa vida continua igual, pode ser um indício de que não estamos praticando corretamente.

Samu é uma manifestação do zazen enquanto cuidado amoroso consigo mesmo, com a comunidade imediata (família, sanga – a família de praticantes) e com todos os seres. Samu significa compromisso, responsabilidade, saída gradual do individualismo arrogante para um mundo onde percebemos que todos estamos interligados. Samu é a corporificação do darma, simplesmente fazendo o que deve ser feito, abrindo mão do “eu quero”, “eu prefiro”, “eu acho que”, sem expectativas do resultado.

Residentes, postulantes, membros da sanga e visitantes devem atentar para o fato de que não são professores nem preceptores. Devem cumprir suas tarefas em silêncio. Não dão explicações sobre o Darma (ensinamentos de Buda) nem celebram rituais ou recitam sutras (textos budistas), exceto quando orientados para tal. Mantêm o silêncio no zendô (sala de meditação), exceto para orientações breves aos visitantes. No caso dos residentes e dos ordenados, apenas temos que seguir mais regras e manter mais silêncio, sendo o exemplo para os demais.

Professores são alunos de outros professores e autorizados por estes. Não existem professores autodidatas no zen, nem o Buda Shakyamuni foi assim. Não existem grandes nem pequenos teóricos no zen. Existe a prática e quem pratica, existe a transmissão do que é feito.

Alunos são os que solicitam formalmente essa condição a um professor e se comportam como tal. Não basta frequentar um zendô para ser aluno. Devem frequentar o zendô pelo menos tantas vezes quanto o professor. Existe a possibilidade de ser aluno à distância para os que moram fora do Rio de Janeiro, praticando com alguma sanga local, ouvindo nossas gravações e frequentando eventualmente o templo, nossos zazenkais (retiros de um dia) e sesshins (retiros mais longos).

No sentido mais amplo, todos somos alunos, todos somos professores, mas no templo existem categorias formais a que devemos prestar atenção.

No zen não cultivamos idéias sobre como tornar a prática mais agradável e menos trabalhosa. Isso tem a ver com propaganda enganosa, mas não com a prática. Não cultivamos qualquer tipo de expectativa. A prática tem a ver com o coração da tristeza, com a tristeza dos ossos da condição humana, e envolve muito trabalho no templo, na rua ou no zendô da montanha. Ao longo do tempo, surge o contentamento, algo diferente da felicidade mundana, que não tem nada de errado em si, apenas não é nosso objetivo no templo.

Não buscamos doações de dinheiro conseguido por meios incorretos. Devemos ser transparentes. Melhor poucos alunos e praticantes sinceros do que muitos falso-self e perseguidores de fama e status. As cinco lembranças são um excelente antídoto para esses venenos:

— É da minha natureza envelhecer, não posso evitar a velhice;

— É da minha natureza adoecer, não posso evitar a doença;

— É da minha natureza morrer, não posso evitar a morte;

— Todas as coisas e pessoas que amo compartilham da natureza da mudança, não posso evitar a separação;

— Meus atos são minhas únicas posses verdadeiras, não posso evitar as consequências dos meus atos. Meus atos são o chão onde fico de pé.

Tudo é impermanente, inclusive os locais de prática. Nossos atos são nosso único chão. Eininji não é um lugar, é uma prática.

Regras da prática

1Mantemos o silêncio de manhã ao chegar no templo, no zendô e à mesa durante o período de refeição formal até a fala ser liberada, assim como nos sanitários e banheiros. As práticas de zazen são sempre silenciosas. Quando houver um professor/a da sanga presente, poderá haver alguma instrução, a critério dele/a.

2Respeitamos o silêncio ao nosso redor, evitamos falar ou rir em voz alta, caminhamos com calma e em silêncio, especialmente próximo ao zendô e ao carregar pratos e outros utensílios ou móveis. Procuramos fazer isso em silêncio e cuidadosamente. Nossos gestos são zazen. Nossa fala é para o benefício de todos os seres. Levamos a elegância e a dignidade do zazen para nossas vidas, todo o tempo, evitando deixar rastros de nossa passagem pelos espaços.

3Evitamos falar sobre assuntos que despertem polêmicas (certo / errado, bom / ruim, etc). Também não fazemos propaganda de nossas atividades profissionais nem aliciamos clientes ou correligionários. Evitamos discutir política e religiões, supostos defeitos de outras pessoas ou desejos ou aversões por coisas do mundo ou tópicos similares; nossa fala deve ser primariamente funcional, isto é, voltada para decisões, orientações e instruções de prática e trabalho. Evitamos fazer propaganda de nossos dramas ou sucessos pessoais, evitamos o mau hábito de fofocas ou “críticas construtivas” aos nossos companheiros de caminho. Só professores estão autorizados a corrigir desvios da prática ou de comportamento. Nos encontros formais com os professores – dokusan – falamos de nossa prática, evitando tocar em assuntos mundanos, fazer fofocas, observações sobre terceiros, ou quaisquer outros temas fora da prática.

4Aparelhos eletrônicos afetam a prática de todos. Deixamos os nossos sempre desligados, do lado de fora do zendô.

5Cultivamos a cortesia com todos, mesmo com aqueles de quem não gostamos ou com quem não conseguimos exercitar a compaixão. Todos têm algo a nos ensinar. É uma agressão a Buda, Darma e Sanga sermos mal educados no templo. Na sua casa, você pode ser como quiser, embora seja adequado corporificar sempre Buda, Darma e Sanga. Na nossa casa, siga nossas regras.

6Nós não nos vestimos de modo a distrair outros. Usamos roupas de prática – koromos – ou pelo menos escuras, que cubram adequadamente o corpo. Não usamos transparências, decotes, shortinhos, bustiês, malhas de ginástica colantes, jóias, perfumes ou cores brilhantes. Chegamos para a prática em bom estado de asseio e higiene, evitando roupas sujas, molhadas ou com areia. Não é permitido vir direto da praia ou piscina para o zendô, sem banho e troca de roupa adequada, respeitando nossos companheiros de prática e o ambiente.

7 – Tanto o samu quanto o sôji (limpeza do zendô matinal) são orientados apenas pela pessoa encarregada da administração da casa ou alguém autorizado por ela. Todo material utilizado deve ser devolvido para seu lugar original ao término da tarefa. Após a limpeza qualquer objeto em Eininji deve permanecer no local de origem. Qualquer sugestão quanto a eventuais mudanças deverá ser encaminhada à pessoa responsável pela administração, sendo vedada a movimentação de objetos ou materiais por conta própria de cada residente ou praticante em samu. Lembremo-nos de que estamos praticando para nos livrarmos das nossas opiniões e preferências: treinar aqui é aprender a descartar essas manifestações da personalidade, praticadas à exaustão por todos nós em nossas vidas cotidianas.

8Evitamos intoxicações; nos locais de prática, nós não usamos drogas ilícitas, cigarros ou álcool, nem permitimos que visitantes usem.

9Nós nos abstemos de atividade sexual nas dependências do templo, e de condutas sedutoras ou que manipulem afetos, sexualidades ou relacionamentos.

10No zendô, nossa postura é respeitável: sentamos em zazen (com as pernas cruzadas), em seiza (ajoelhados), ou em cadeiras ou pufes (para os que têm limitações físicas) e não sentamos com as pernas estiradas para o centro do zendô nem encostados nas paredes. Realizamos os rituais de entrada e de saída do zendô, e de início e de término do zazen, nos movimentando em conjunto, cuidadosa e silenciosamente. Não entramos e saímos individualmente, sem as reverências adequadas. Somos um corpo do darma quando praticamos juntos. Só comemos e bebemos no zendô em refeições formais em períodos de retiro.

11Nas refeições, nós tomamos a quantidade de alimento que precisamos e comemos tudo. Não deixamos restos nem jogamos comida no lixo. Todas as refeições em mosteiros, templos e sesshins são ovo-lacto-vegetarianas. Após cada refeição arrumamos nossa cadeira, ajudamos a recolher a mesa e lavamos nossa própria louça ou tigelas a não ser se orientados em contrário, usando o mínimo de água necessário.

12Na hora de dormir, nos sesshins e na residência, mantemos o silêncio a partir de 22 horas, fazemos a higiene e dormimos. Não ficamos acordados para trabalhar, conversar ou nos divertir.

13Começamos a prática de zazen pontualmente. Não entramos no zendô depois do começo do zazen. Não saímos do zendô antes do término do zazen. Somos um corpo do darma quando praticamos juntos. Caso o praticante esteja sofrendo de algum mal-estar que cause transtorno aos demais, como acessos de tosse, escarro ou espirro, pede-se que faça seu zazen na sala de Canon, ao lado do zendô.

14Procuramos contribuir, dentro de nossas possibilidades, com trabalho voluntário e/ou colaboração financeira, para que a sanga possa se manter como lugar da prática, não abusando assim da generosidade dos que contribuem. Oferecemos dana (doações) para o templo, para nossos professores (especialmente quando participamos de dokusan, sesshins ou zazenkais), professores convidados e residentes, possibilitando sua prática pura. Se desejar oferecer dana especificamente para um professor ou residente, coloque em envelope com o nome da pessoa e entregue ao responsável pela casa. As doações para o templo podem ser colocadas na caixa própria na entrada do zendô ou através do nosso site.

15A participação em sesshins requer frequência regular às atividades da sanga, exceto em sesshins introdutórios. Praticantes de outras sangas terão sua participação considerada individualmente.

16Respeitamos as pessoas com mais tempo de prática, buscando observar seus bons exemplos e utilizando suas dificuldades como estímulo para nossa própria prática. Ajudamos as pessoas com menos tempo de prática, respeitando seu momento e nos abstendo de criticá-las, ensinando através do exemplo. A compaixão em relação a nós mesmos e aos demais é nossa prática diária. Corrigir erros é função dos professores. Dúvidas devem ser tiradas com eles. Nada pior que um visitante, praticante ou postulante metido a professor sem ser autorizado como tal, dá um péssimo exemplo para todos.

17 – Nossa prática pode ser chamada de religião por alguns, escola por outros, mas damos o nome de prática do caminho ensinado pelo Buda Shakyamuni, dentro do ensinamento transmitido por Dogen Zenji no Capítulo 50 do Shoboguenzo. Assim, não buscamos convertidos nem requeremos devoção. Nosso compromisso é com a prática e estes preceitos. O Buda Shakyamuni não pediu crença nem devoção, mas prática – ehi passiko, em páli, “vem e pratica”.

18 – Nossa prática conjunta no zendô tem recessos semanais e anuais, mas o zazen é um modo de viver e não se tira férias da própria vida.

Eininji é administrado por um irmão responsável, auxiliado pela coordenação da casa e pela associação Eininji no que tange às questões da prática, regras e ensinamentos, e às questões de administração e manutenção predial e patrimonial. Além de serem normas, são propostas para reflexão e prática. Entretanto, como normas, pressupõem sanções caso sejam quebradas, que abrangem advertências orais, escritas, suspensões de frequência e, por último, expulsões para os membros da Ordem ou interdição de frequência para os demais. As sanções são decididas pelo irmão responsável por Eininji, após proposta da coordenação da casa ou da associação.

Regras da prática

1Mantemos o silêncio de manhã ao chegar no templo, no zendô e à mesa durante o período de refeição formal até a fala ser liberada, assim como nos sanitários e banheiros. As práticas de zazen são sempre silenciosas. Quando houver um professor/a da sanga presente, poderá haver alguma instrução, a critério dele/a.

2Respeitamos o silêncio ao nosso redor, evitamos falar ou rir em voz alta, caminhamos com calma e em silêncio, especialmente próximo ao zendô e ao carregar pratos e outros utensílios ou móveis. Procuramos fazer isso em silêncio e cuidadosamente. Nossos gestos são zazen. Nossa fala é para o benefício de todos os seres. Levamos a elegância e a dignidade do zazen para nossas vidas, todo o tempo, evitando deixar rastros de nossa passagem pelos espaços.

3Evitamos falar sobre assuntos que despertem polêmicas (certo / errado, bom / ruim, etc). Também não fazemos propaganda de nossas atividades profissionais nem aliciamos clientes ou correligionários. Evitamos discutir política e religiões, supostos defeitos de outras pessoas ou desejos ou aversões por coisas do mundo ou tópicos similares; nossa fala deve ser primariamente funcional, isto é, voltada para decisões, orientações e instruções de prática e trabalho. Evitamos fazer propaganda de nossos dramas ou sucessos pessoais, evitamos o mau hábito de fofocas ou “críticas construtivas” aos nossos companheiros de caminho. Só professores estão autorizados a corrigir desvios da prática ou de comportamento. Nos encontros formais com os professores – dokusan – falamos de nossa prática, evitando tocar em assuntos mundanos, fazer fofocas, observações sobre terceiros, ou quaisquer outros temas fora da prática.

4Aparelhos eletrônicos afetam a prática de todos. Deixamos os nossos sempre desligados, do lado de fora do zendô.

5Cultivamos a cortesia com todos, mesmo com aqueles de quem não gostamos ou com quem não conseguimos exercitar a compaixão. Todos têm algo a nos ensinar. É uma agressão a Buda, Darma e Sanga sermos mal educados no templo. Na sua casa, você pode ser como quiser, embora seja adequado corporificar sempre Buda, Darma e Sanga. Na nossa casa, siga nossas regras.

6Nós não nos vestimos de modo a distrair outros. Usamos roupas de prática – koromos – ou pelo menos escuras, que cubram adequadamente o corpo. Não usamos transparências, decotes, shortinhos, bustiês, malhas de ginástica colantes, jóias, perfumes ou cores brilhantes. Chegamos para a prática em bom estado de asseio e higiene, evitando roupas sujas, molhadas ou com areia. Não é permitido vir direto da praia ou piscina para o zendô, sem banho e troca de roupa adequada, respeitando nossos companheiros de prática e o ambiente.

7 – Tanto o samu quanto o sôji (limpeza do zendô matinal) são orientados apenas pela pessoa encarregada da administração da casa ou alguém autorizado por ela. Todo material utilizado deve ser devolvido para seu lugar original ao término da tarefa. Após a limpeza qualquer objeto em Eininji deve permanecer no local de origem. Qualquer sugestão quanto a eventuais mudanças deverá ser encaminhada à pessoa responsável pela administração, sendo vedada a movimentação de objetos ou materiais por conta própria de cada residente ou praticante em samu. Lembremo-nos de que estamos praticando para nos livrarmos das nossas opiniões e preferências: treinar aqui é aprender a descartar essas manifestações da personalidade, praticadas à exaustão por todos nós em nossas vidas cotidianas.

8Evitamos intoxicações; nos locais de prática, nós não usamos drogas ilícitas, cigarros ou álcool, nem permitimos que visitantes usem.

9Nós nos abstemos de atividade sexual nas dependências do templo, e de condutas sedutoras ou que manipulem afetos, sexualidades ou relacionamentos.

10No zendô, nossa postura é respeitável: sentamos em zazen (com as pernas cruzadas), em seiza (ajoelhados), ou em cadeiras ou pufes (para os que têm limitações físicas) e não sentamos com as pernas estiradas para o centro do zendô nem encostados nas paredes. Realizamos os rituais de entrada e de saída do zendô, e de início e de término do zazen, nos movimentando em conjunto, cuidadosa e silenciosamente. Não entramos e saímos individualmente, sem as reverências adequadas. Somos um corpo do darma quando praticamos juntos. Só comemos e bebemos no zendô em refeições formais em períodos de retiro.

11Nas refeições, nós tomamos a quantidade de alimento que precisamos e comemos tudo. Não deixamos restos nem jogamos comida no lixo. Todas as refeições em mosteiros, templos e sesshins são ovo-lacto-vegetarianas. Após cada refeição arrumamos nossa cadeira, ajudamos a recolher a mesa e lavamos nossa própria louça ou tigelas a não ser se orientados em contrário, usando o mínimo de água necessário.

12Na hora de dormir, nos sesshins e na residência, mantemos o silêncio a partir de 22 horas, fazemos a higiene e dormimos. Não ficamos acordados para trabalhar, conversar ou nos divertir.

13Começamos a prática de zazen pontualmente. Não entramos no zendô depois do começo do zazen. Não saímos do zendô antes do término do zazen. Somos um corpo do darma quando praticamos juntos. Caso o praticante esteja sofrendo de algum mal-estar que cause transtorno aos demais, como acessos de tosse, escarro ou espirro, pede-se que faça seu zazen na sala de Canon, ao lado do zendô.

14Procuramos contribuir, dentro de nossas possibilidades, com trabalho voluntário e/ou colaboração financeira, para que a sanga possa se manter como lugar da prática, não abusando assim da generosidade dos que contribuem. Oferecemos dana (doações) para o templo, para nossos professores (especialmente quando participamos de dokusan, sesshins ou zazenkais), professores convidados e residentes, possibilitando sua prática pura. Se desejar oferecer dana especificamente para um professor ou residente, coloque em envelope com o nome da pessoa e entregue ao responsável pela casa. As doações para o templo podem ser colocadas na caixa própria na entrada do zendô ou através do nosso site.

15A participação em sesshins requer frequência regular às atividades da sanga, exceto em sesshins introdutórios. Praticantes de outras sangas terão sua participação considerada individualmente.

16Respeitamos as pessoas com mais tempo de prática, buscando observar seus bons exemplos e utilizando suas dificuldades como estímulo para nossa própria prática. Ajudamos as pessoas com menos tempo de prática, respeitando seu momento e nos abstendo de criticá-las, ensinando através do exemplo. A compaixão em relação a nós mesmos e aos demais é nossa prática diária. Corrigir erros é função dos professores. Dúvidas devem ser tiradas com eles. Nada pior que um visitante, praticante ou postulante metido a professor sem ser autorizado como tal, dá um péssimo exemplo para todos.

17 – Nossa prática pode ser chamada de religião por alguns, escola por outros, mas damos o nome de prática do caminho ensinado pelo Buda Shakyamuni, dentro do ensinamento transmitido por Dogen Zenji no Capítulo 50 do Shoboguenzo. Assim, não buscamos convertidos nem requeremos devoção. Nosso compromisso é com a prática e estes preceitos. O Buda Shakyamuni não pediu crença nem devoção, mas prática – ehi passiko, em páli, “vem e pratica”.

18 – Nossa prática conjunta no zendô tem recessos semanais e anuais, mas o zazen é um modo de viver e não se tira férias da própria vida.

Eininji é administrado por um irmão responsável, auxiliado pela coordenação da casa e pela associação Eininji no que tange às questões da prática, regras e ensinamentos, e às questões de administração e manutenção predial e patrimonial. Além de serem normas, são propostas para reflexão e prática. Entretanto, como normas, pressupõem sanções caso sejam quebradas, que abrangem advertências orais, escritas, suspensões de frequência e, por último, expulsões para os membros da Ordem ou interdição de frequência para os demais. As sanções são decididas pelo irmão responsável por Eininji, após proposta da coordenação da casa ou da associação.

Regras para residentes

1 – Residentes treinam para se tornarem cuidadores amorosos e atenciosos, corporificando o Darma de Eininji e sendo observados pelos praticantes e visitantes como modelos e exemplos. Por isso devem conhecer de cor as regras de prática, mais estas regras residenciais, sendo a não leitura ou descumprimento das mesmas motivo para o encerramento do período de residência.

2 – Residentes são admitidos por recomendação da coordenação de residentes, após avaliação (por entrevista, currículo e cartas de referência) e decisão do responsável da casa. São pessoas que buscam experimentar um ambiente de prática e treinamento zen.

3 – São admitidos por um período inicial de dois meses de experiência, que pode ser interrompido a qualquer momento a pedido dos próprios ou por decisão da coordenação dos residentes. Caso aprovados, a residência pode durar de quatro a seis meses, renováveis. Caso não sejam efetivados como residentes no período de experiência, terão quinze dias para efetuarem sua mudança de saída de Eininji. Durante esses quinze dias deverão participar da prática matinal e cumprirem duas horas de samu.

4 – Residentes devem trazer apenas o essencial consigo quando mudarem para Eininji. Não praticamos acumulação nem apego a supérfluos. Seus pertences ficam restritos somente aos quartos.

5 – O tempo de estadia para o praticante hospedado é limitado, podendo ser avaliado pelo mesmo em conjunto com a administração. Terá também que praticar pelo menos um zazen diário no horário coletivo e fazer uma hora de samu.

6 – Residentes praticam zazen obrigatoriamente duas vezes por dia nos horários coletivos. Nos dias de folga é recomendado um zazen diário e limpeza geral. Nos recessos, se o residente permanecer em Eininji, ele deve sentar uma vez por dia e manter o samu habitual.

7 – Residentes cumprem funções relativas à prática e a tarefas de trabalho e de limpeza, designadas pelo coordenador de residentes. Dedicam um período contínuo de três horas diárias ao samu, cumprindo o roteiro semanal integralmente. Períodos de samu são períodos de silêncio, sendo permitida somente a fala funcional.

8 – Durante os períodos de silêncio, que correspondem aos horários de samu e zazen, não é permitido estimular conversa com o colega ou praticante, ouvir ou tocar música fora do quarto nem usar instrumentos musicais (exceto em rituais ou aulas) ou fazer barulho de qualquer espécie. Uso de celulares ou internet é restrito aos quartos, evitando usar durante o horário de silêncio.

9 – Visitas somente fora dos horários de trabalho, prática na casa e de descanso. Não são permitidas comemorações, festas, celebrações, exceto quando expressamente autorizadas pelo irmão responsável.

10 – Residentes providenciam seu próprio material de higiene pessoal e podem usar os utensílios da cozinha (somente para uso interno), a máquina de lavar e o material de limpeza geral da sanga evitando o desperdício de água, luz e material de limpeza em geral.

11 – A comida doada pelos praticantes da sanga é para consumo comunitário.

12 – Os custos da alimentação básica ovo-lacto-vegetariana dos residentes correm por conta de Eininji, sempre evitando o desperdício de comida. Recomenda-se ter recipientes marcados para que os demais frequentadores da sanga reconheçam os alimentos próprios de cada residente.

13 – Em uma instituição dedicada ao zen, o residente deve se dedicar integralmente a corporificar o darma. Nossas atividades principais são o zazen e o samu. Residentes somente podem faltar em caso de emergência, a ser discutidos com a coordenação. Devemos sentar mesmo quando estamos doentes ou insones, sofrendo de indisposição ou de estresse. Faltar ao zazen por causa dessas questões vai contra o princípio da própria prática: elas podem e devem ser trabalhadas através do zazen. Compromisso, responsabilidade e cuidado amoroso nos ajudam a nos libertarmos de nós mesmos.

14 – Residentes podem trabalhar fora do templo em seu tempo livre, tendo folga aos sábados (a partir das 14h), domingos e segundas (até às 14h), exceto quando forem marcadas práticas (zazenkais, sesshins, retiros, seminários e semelhantes) para a sanga.

15 – Residentes podem utilizar as dependências do templo para suas atividades profissionais, desde que vinculadas ao tema da casa, Cuidado Amoroso, realizadas fora dos horários de prática e autorizadas previamente. Sugerimos que esses serviços profissionais sejam oferecidos gratuitamente, como parte de nosso Cuidado Amoroso com a comunidade. Se a atividade profissional for remunerada, deverá ser feita uma contribuição financeira ao templo, a ser acertada com a coordenação.

16 – Podem solicitar dokusan com o irmão responsável, podendo se tornar postulantes se assim o desejarem.

17 – Participam de sesshins e cursos da sanga, gratuitamente. Podem receber dana durante retiros ou se assim especificado por doadores.

18 – Têm direito a férias de trinta dias anuais contínuos ou intervalados, desde que avisando com antecedência ao coordenador de residentes. Poderão ser concedidas licenças mais longas tendo em vista projetos relacionados com a casa e/ou com a própria prática.

Reflexões do Irmão responsável

Estamos todos em treinamento para que possamos verdadeiramente manifestar nossa natureza búdica de bodisatvas, exceção feita aos visitantes eventuais ou habituais sem compromisso com a Sanga. Assim sendo, devemos lembrar que o Buda Shakyamuni aprendeu desde cedo a disciplina de um guerreiro, e manteve essa prática marcial em suas prédicas, como registradas desde o Damapada. Estamos treinando para sermos a luz do darma, os que acolhem e cuidam. Por isso mesmo, um zendô não é um centro de acolhimento nem comunidade terapêutica. É um campo de provas e treinamento para aqueles que um dia podem ser chamados a cuidar sozinhos de uma comunidade. Na versão cristã, temos um resumo disto na Oração de São Francisco, algo semelhante ao Guia do Caminho do Bodisatva, de Shantideva.

Nas artes marciais e nas belas-artes orientais, aprendemos a imitar nossos professores à perfeição antes de sermos “criativos” e “originais”. Se você não puder tolerar isso, se tiver sempre que compartilhar seus “por quês” e opiniões sobre como deveria ser a prática tendo acabado de chegar nela, seu lugar não é aqui. Leia o “Bendowa” (capítulo 1 do Shobogenzo) e o Fukanzazengi com atenção, entenda o que é praticar seis, dez, vinte anos sem dar opinião. Seja honesto com o que você quer. Não se engane.

Enfim, é um caminho duro. Investiguem a si mesmos e vejam se desejam isso ou se isso é só uma fantasia do ego, uma coisa de modismo. Se o objetivo for satisfação e felicidade mundanas, provavelmente haverá decepção. Se o objetivo for receber gratidão e reconhecimento, o resultado provável será frustração e infelicidade. Leiam e pratiquem o Damapada e o Guia do Caminho do Bodisatva. Se não sentirem qualquer incômodo, é porque não entenderam. Se houver incômodo, vejam se querem realmente enfrentar esse caminho, porque o incômodo vai piorar. Saibam que quanto mais eruditos e inteligentes forem, mais difícil será abrir mão da sua “compreensão”. Mas verifiquem: sua compreensão os está libertando ou aprisionando? O que é liberdade, ao invés de escravidão pelo impulso? O que é alegria genuína, mais além da mania? Existem muitas vias no budismo e na espiritualidade, a nossa é só mais uma.

A prática do zen não é isenta de riscos e perturbações. Ao contrário, é uma busca de olhar de frente para nossas sombras, nossas angústias, nossas dificuldades. São João da Cruz escreveu magistralmente sobre isso na sua obra Noite Escura da Alma. Sugiro essa leitura para os que pensam no zen como um tipo de budismo “legal”.

Sugiro que imprimam tudo isto e tenham à mão. E sempre leiam. Coloquei por escrito para que fique registrado. No momento sou responsável por uma sanga que confia em mim como professor. Portanto, é importante que saibam qual minha visão desta sanga, de seu papel e de nossa prática, e a quem devemos satisfações como forma de nos lembrar de nossos votos de tomar o Buda como nosso modelo, o Darma como nossa forma de estar/ser no mundo, a Sanga como nosso tempo/lugar de prática na relação com todos os seres. Fazemos votos para corporificar Buda / Darma / Sanga.

Mais importante que brincar de ser zen é verdadeiramente decidir o que é fundamental na sua vida, o que é essencial e o que é supérfluo. Nosso caminho não é o melhor para todos nem a única via na espiritualidade, portanto você não precisa se obrigar a ser zen budista. Siga seu coração, siga seu caminho, seja feliz e se não se identificar com o nosso modo de praticar, pode nos visitar quando quiser, será bem-vindo, mas lembre que você será sempre um visitante. Aliás, ser um visitante será provavelmente mais adequado e agradável para você que ser praticante ou postulante, já que os visitantes são acolhidos sem exigências, não são corrigidos, observados nem supervisionados pelo professor, nem se comprometem com o trabalho ou o sustento do templo. Ser visitante não é demérito nem defeito, é só uma escolha, tão legítima quanto qualquer outra.

Não é preciso que nos amem ou idolatrem. Uma cultura de perversão e mania, onde todos são muito “afetivos”, mas pouco sérios e comprometidos, onde tudo tem jeitinhos, não combina com a prática, onde é mais importante compromisso, dignidade, disciplina e inteireza no coração do que sorrisos, abraços de “melhores amigos desde a infância” e brincadeiras vazias.

Se for para tudo continuar a ser do mesmo modo que tem sido em vidas cheias de projeções e compulsões que não percebemos, não é necessário todo esse esforço. Apenas continuem do jeito que sempre foram, e desistam de uma prática que não lhes fala ao coração.

Lembrem que o Buda Shakyamuni praticou durante seis anos com determinação antes de despertar. Um ser humano como nós, que acreditou em sua aspiração e disciplina.

No Darma,

Gasshô,

Alcio Braz Eido Soho

Irmão responsável por Eininji